Fernando Fernandes (ex-BBB) que após acidente ficou paraplégico, SUPERAÇÃO é seu lema.

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Em uma manhã, recebi uma ligação de minha mãe dizendo que estava havendo uma Guerra nos Estados Unidos. Mal sabia eu que estava na cidade do atentado ao World Trade Center. Isto gerou um caos, pois não podíamos fazer nada além de esperar em casa para saber o que estava acontecendo. Passamos dias na indecisão, porém resolvi que não voltaria ao Brasil, pois aquela seria uma oportunidade única. A partir de então, vários trabalhos surgiram, como campanhas da Abercrombie & Fitch com um dos maiores fotógrafos do mundo, Bruce Weber. Desfilei para Calvin Klein e outros trabalhos um pouco menores, como Coogi Austrália. Ao final da temporada e do ano retornei ao Brasil.
De volta ao lar, segui treinando boxe, como fiz ao longo de todo o período em que estive no mundo da moda, e voltando de um treino fui abordado na rua por um rapaz que se dizia “olheiro” e me convidou para participar da segunda edição do Big Brother Brasil. No início não estava muito confortável com a idéia, cheio de dúvidas, mas aceitei gravar um vídeo teste. Duas semanas depois eu já estava dentro do programa. Lá permaneci por três semanas e fiz algumas amizades que conservo até hoje.


No dia 4 de Julho estes planos foram interrompidos. Na volta para casa após uma partida de futebol acabei dormindo ao volante e acordando em um lugar cheio de luzes e cheio de pessoas com roupas brancas. Cheguei a me perguntar se ali seria o céu, pois ainda estava sob efeito de fortes medicamentos e analgésicos. Mas a situação foi se acalmando, fui tomando consciência dos fatos e entendi que estava em um hospital. Percebi que não estava sentindo minhas pernas e aquela sensação me causou desespero, porém uma força enorme, que não sei de onde veio, me tranqüilizou e comecei a viver dia após dia. Passei cinco dias na UTI, mas ali já sabia que estava fora de risco. Estava internado em um hospital público, mas com pessoas de extrema competência. Todos foram muito humanos e profissionais.Passei um mês internado e logo fui para casa, onde fiquei por mais um mês.
Meus familiares e amigos foram muito importantes no dia a dia, pois me serviam de "combustível" para não deixar "meu carro afogar".


No terceiro mês fui para Brasília, no Hospital de Reabilitação Sarah, onde encontrei um lugar com pessoas que estariam vivendo uma realidade parecida com a minha. Lesões medular, lesões cerebrais e todo tipo de problemas. Isso me fortaleceu demais, pois pude ver que por mais difícil que fosse meu problema, ali tinha pessoas com dificuldades bem maiores, lutando com toda garra pela vida. Eu já estava decidido que não iria me entregar, e quando cheguei lá tive a certeza que realmente não me entregaria e sim deveria agradecer a DEUS pela oportunidade dada. Dei início à fisioterapia e posteriormente aos treinos físicos, mesmo que bem leves. Meu objetivo principal, logicamente era voltar a andar, porém não iria parar minha vida para esperar este momento, apesar de dar toda a minha dedicação por ele. Iniciei minhas atividades esportivas com musculação, corridas na cadeira, e caminhadas com ortese na fisioterapia. Isso me proporcionava um enorme prazer, poder me superar a cada dia. Foi então que me veio à cabeça a corrida de São Silvestre.

Quando foi dada a largada foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, pois foi um momento de reflexão. Apesar do "calor da prova" um filme se passou na minha cabeça relembrando minha vida toda ...... e isso me deu mais força para seguir os 15 km da corrida e enfrentar a subida da Av. Brigadeiro com a mão toda esfolada e em carne viva. Não poderia desistir de maneira alguma, pois eu sei que eu estava ali representando uma parte da população que estava vivendo momentos de dificuldades e que muitas vezes tem vergonha de sair de casa por preconceitos e pela falta de estrutura que temos no nosso pais.
E com o pneu furado acabei minha prova e ganhei o maior prêmio da minha vida, que foi o abraço de meus pais orgulhosos chorando por eu ter vencido essa "barreira". Hoje estou em São Paulo treinando e competindo numa modalidade diferente, a Canoagem, que me proporcionou não só um crescimento e engrandecimento físico como também mental. E ainda tenho e ESPERANÇA que as coisas vão melhorar, e enquanto isso vou ultrapassando e atropelando as dificuldades sem medo e utilizando a maior ferramenta que DEUS me deu, "O Esporte". 

História da Biografia de Fernando Fernandes.

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